domingo, 29 de agosto de 2010
OBSERVATÓRIO
Conheçam o projeto "Observatório" em ação durante o mês de setembro no centro Cultural Usina do Gasômetro.
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segunda-feira, 3 de maio de 2010
Texto da curadora para a Exposição Entre Linhas
Entre linhas
Ana Zavadil
A leitura desta exposição permite entrar na singularidade de cada artista, ou seja, no fazer específico de cada um. Sem um tema estabelecido, o objetivo é mostrar as potencialidades do desenho em suas diversidades técnicas em que cada artista tem uma pesquisa, um ritmo de trabalho e um resultado final.
Podemos eleger a linha como um dos elementos comuns, aquele que vamos encontrar em todos os trabalhos. Outro ponto de ligação a ser destacado é a repetição do mesmo elemento formal dentro da obra, ou de uma a outra obra, ou, ainda, com o gesto primeiro do processo criativo.
Para exercitar o olhar, podemos fazer uma imersão nos trabalhos, na busca de significados que nos conduzam às associações ora para o lúdico, ora para a reflexão. O fino jogo tecido entre as imagens propõe uma investigação sobre o desenho na contemporaneidade, pois ele se apresenta em sua potência de liberdade, de hibridação e de contaminação com outras linguagens, corporificando novas vestes a partir de materiais e suportes utilizados, nos atraindo para a experiência de sua fruição.
Uma linha como princípio de tudo leva o observador a tentar elucidar a sua trama ou simplesmente deixá-lo, à vontade, frente à imagem conhecida. Entre linhas exprime a ideia de que entre elas, há muito para ser descoberto, como esferas criadas pelo sopro do artista e a prestimosa contribuição do tempo para deixar cada uma delas diferentes entre si – e não são poucas; linhas densas, sinuosas e nervosas que nascem de um primeiro gesto e não param de se tramar; linhas que se expandem não respeitando margens nem suportes para alastrarem-se infinitamente; linhas interrompidas, mas que o nosso olhar traça o caminho para encontrá-la mais adiante; linhas retas e firmes delineando um desenho arquitetônico; linhas de contorno que ditam as regras para a visibilidade do desenho e, ainda, linhas que criam espaços, contrastes e sobreposições. Como se pode concluir, há muito mais coisas entre linhas do que um simples olhar pode alcançar. O desafio está lançado: entre!
Ana Zavadil é curadora independente, crítica de arte e mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Ana Zavadil
A leitura desta exposição permite entrar na singularidade de cada artista, ou seja, no fazer específico de cada um. Sem um tema estabelecido, o objetivo é mostrar as potencialidades do desenho em suas diversidades técnicas em que cada artista tem uma pesquisa, um ritmo de trabalho e um resultado final.
Podemos eleger a linha como um dos elementos comuns, aquele que vamos encontrar em todos os trabalhos. Outro ponto de ligação a ser destacado é a repetição do mesmo elemento formal dentro da obra, ou de uma a outra obra, ou, ainda, com o gesto primeiro do processo criativo.
Para exercitar o olhar, podemos fazer uma imersão nos trabalhos, na busca de significados que nos conduzam às associações ora para o lúdico, ora para a reflexão. O fino jogo tecido entre as imagens propõe uma investigação sobre o desenho na contemporaneidade, pois ele se apresenta em sua potência de liberdade, de hibridação e de contaminação com outras linguagens, corporificando novas vestes a partir de materiais e suportes utilizados, nos atraindo para a experiência de sua fruição.
Uma linha como princípio de tudo leva o observador a tentar elucidar a sua trama ou simplesmente deixá-lo, à vontade, frente à imagem conhecida. Entre linhas exprime a ideia de que entre elas, há muito para ser descoberto, como esferas criadas pelo sopro do artista e a prestimosa contribuição do tempo para deixar cada uma delas diferentes entre si – e não são poucas; linhas densas, sinuosas e nervosas que nascem de um primeiro gesto e não param de se tramar; linhas que se expandem não respeitando margens nem suportes para alastrarem-se infinitamente; linhas interrompidas, mas que o nosso olhar traça o caminho para encontrá-la mais adiante; linhas retas e firmes delineando um desenho arquitetônico; linhas de contorno que ditam as regras para a visibilidade do desenho e, ainda, linhas que criam espaços, contrastes e sobreposições. Como se pode concluir, há muito mais coisas entre linhas do que um simples olhar pode alcançar. O desafio está lançado: entre!
Ana Zavadil é curadora independente, crítica de arte e mestranda pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
terça-feira, 18 de agosto de 2009
DESENHO - PROCESSO
por Ana Zavadil -curadora
O processo poético de Claudia Hamerski, numa primeira etapa, deu-se através do desenho com o uso da fotografia para ajudar na sua concepção. Nessa série de trabalhos vamos conhecer o resultado de sua pesquisa desenvolvida durante o último ano, onde o desenho ainda é a linguagem principal, porém estabelece conexões com outros meios, tanto técnicos quanto formais.
Os desenhos possuem a característica de irradiarem-se em sutis relações de linhas e transparências configurando um processo repetitivo e rizomático, já que são construídos a partir do tronco de árvores e de maneira serial e modular. O desenho se espalha sobre a superfície e mesmo não chegando até as bordas da tela ou da madeira, torna este limite invisível e causa a sensação de expandir-se infinitamente.
O estêncil é usado em alguns trabalhos na intenção de multiplicar combinações de um mesmo elemento, criando modulações para o olhar, possibilitando mudanças no decorrer dessas misturas de materiais e apontando a fotografia não só como parte do processo, mas como resultado final.
Um novo estimulo para a criação surge através de um objeto tridimensional, feito de tela e arame, onde a percepção visual dá-se através do espaço. Esse objeto apresenta-se como um corpo pendurado e atravessado pela luz que delineia as suas tramas e a sua identidade através de sombras. Estas sombras são direcionadas para uma tela colocada na parede e transformadas em desenhos.
A paisagem visual criada pelos trabalhos é o resultado de experiências e evidencia a maneira cambiante do desenho em diversificados suportes trazendo diferenças significativas em seu conjunto. O processo desdobra-se e quanto maior o tempo de elaboração, maiores serão as nuances nos resultados.
Para essa exposição é reservado um lugar na parede onde a artista vai dar início a um trabalho interativo: desenhar e convidar dois artistas para participarem desse projeto. A efemeridade e a metamorfose fazem parte do seu processo, pois a obra em se fazendo é a mola propulsora para novas experimentações e descobertas e, no atual momento, o processo e o produto final estão em ordem de equivalência para a artista.
O que Claudia Hamerski busca é extrapolar os limites do desenho, desafiar percepções e provocar o expectador a descobrir o desenho entre as tramas de linhas enquanto elas existem, pois nesta expansão do processo tudo pode vir a acontecer. Hoje o desenho é o resultado final, amanhã ele poderá ser apenas parte do processo, um meio para chegar a outro lugar.
Ana Zavadil, mestranda em Artes Visuais: Arte e Cultura, pela UFSM.
O processo poético de Claudia Hamerski, numa primeira etapa, deu-se através do desenho com o uso da fotografia para ajudar na sua concepção. Nessa série de trabalhos vamos conhecer o resultado de sua pesquisa desenvolvida durante o último ano, onde o desenho ainda é a linguagem principal, porém estabelece conexões com outros meios, tanto técnicos quanto formais.
Os desenhos possuem a característica de irradiarem-se em sutis relações de linhas e transparências configurando um processo repetitivo e rizomático, já que são construídos a partir do tronco de árvores e de maneira serial e modular. O desenho se espalha sobre a superfície e mesmo não chegando até as bordas da tela ou da madeira, torna este limite invisível e causa a sensação de expandir-se infinitamente.
O estêncil é usado em alguns trabalhos na intenção de multiplicar combinações de um mesmo elemento, criando modulações para o olhar, possibilitando mudanças no decorrer dessas misturas de materiais e apontando a fotografia não só como parte do processo, mas como resultado final.
Um novo estimulo para a criação surge através de um objeto tridimensional, feito de tela e arame, onde a percepção visual dá-se através do espaço. Esse objeto apresenta-se como um corpo pendurado e atravessado pela luz que delineia as suas tramas e a sua identidade através de sombras. Estas sombras são direcionadas para uma tela colocada na parede e transformadas em desenhos.
A paisagem visual criada pelos trabalhos é o resultado de experiências e evidencia a maneira cambiante do desenho em diversificados suportes trazendo diferenças significativas em seu conjunto. O processo desdobra-se e quanto maior o tempo de elaboração, maiores serão as nuances nos resultados.
Para essa exposição é reservado um lugar na parede onde a artista vai dar início a um trabalho interativo: desenhar e convidar dois artistas para participarem desse projeto. A efemeridade e a metamorfose fazem parte do seu processo, pois a obra em se fazendo é a mola propulsora para novas experimentações e descobertas e, no atual momento, o processo e o produto final estão em ordem de equivalência para a artista.
O que Claudia Hamerski busca é extrapolar os limites do desenho, desafiar percepções e provocar o expectador a descobrir o desenho entre as tramas de linhas enquanto elas existem, pois nesta expansão do processo tudo pode vir a acontecer. Hoje o desenho é o resultado final, amanhã ele poderá ser apenas parte do processo, um meio para chegar a outro lugar.
Ana Zavadil, mestranda em Artes Visuais: Arte e Cultura, pela UFSM.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Desvenda junho, domingo, 07/06/09
No domingo, 07 de junho das 16h ás 22h acontece a DESVENDA de junho.
A Desvenda continua em junho com sua vocação de romper as barreiras que separam obra e público. Sua premissa é simples: oferecer ao público um lugar onde ele possa adquirir obras de arte de qualidade, a preços justos e de forma desburocratizada.
Este mês, a além da já esperada feira Desvenda, a travessa Venezianos será palco para várias atividades artísticas independentes. Artistas, grupos, linguagens e propostas diversas se unem para criar um momento cultural efervescente.
Visitem o blog e a Feira, eheheh.
A Desvenda continua em junho com sua vocação de romper as barreiras que separam obra e público. Sua premissa é simples: oferecer ao público um lugar onde ele possa adquirir obras de arte de qualidade, a preços justos e de forma desburocratizada.
Este mês, a além da já esperada feira Desvenda, a travessa Venezianos será palco para várias atividades artísticas independentes. Artistas, grupos, linguagens e propostas diversas se unem para criar um momento cultural efervescente.
Visitem o blog e a Feira, eheheh.
sábado, 11 de abril de 2009
G. -Albert Aurier, c. 1892
(...) "A única maneira de chegar ao âmago das coisas é o amor. Para compreender Deus é preciso amá-lo; para compreender a mulher, é preciso amá-la; a compreensão é proporcional ao amor.
Assim, o único meio de compreender uma obra de arte é tornar-se amante dela. Isso é possível, pois a obra é um ser dotado de alma e que a exprime por meio de uma linguagem que se pode aprender.
É até mais fácil amar verdadeiramente uma obra de arte que uma mulher, já que naquela a matéria mal existe e quase nunca fará o amor degenerar em sensualismo.
Dir-se-á que esse método é ridículo. A isso nada responderei.
Dir-se-á que é místico. Então direi: sim, por certo, isso é misticismo, e é de misticismo que precisamos hoje em dia, só o misticismo pode salvar nossa sociedade do embrutecimento, do sensualismo e do utilitarismo. Dentro de cem anos seremos uns brutos cujo único ideal consistirá na cômoda satisfação das funções orgânicas; graças à ciência positiva, voltaremos à animidade pura e simples. É preciso reagir. É preciso voltar a cultivar em nós as superiores qualidades da alma. É preciso que voltemos a ser místicos. É preciso reaprender o amor, fonte de toda compreensão.
Mas, ai! , já é tarde para reconquistar o amor em sua integridade primitiva. O sensualismo do século nos ensinou a ver na mulher apenas um bocado de carne destinada a aplacar nossos apetites materiais. O amor da mulher não mais nos é permitido. O ceticismo do século nos ensinou a ver em Deus apenas uma abstração nominal talvez inexistente. O amor de Deus não mais nos é permitido.
Um só amor ainda nos resta, o das obras de arte. Atiremo-nos pois sobre essa última tábua de salvação, tornemo-nos os místicos da arte." (...)
Do livro "Teorias da Arte Moderna - H. B. Chipp, pg. 84/85.
Assim, o único meio de compreender uma obra de arte é tornar-se amante dela. Isso é possível, pois a obra é um ser dotado de alma e que a exprime por meio de uma linguagem que se pode aprender.
É até mais fácil amar verdadeiramente uma obra de arte que uma mulher, já que naquela a matéria mal existe e quase nunca fará o amor degenerar em sensualismo.
Dir-se-á que esse método é ridículo. A isso nada responderei.
Dir-se-á que é místico. Então direi: sim, por certo, isso é misticismo, e é de misticismo que precisamos hoje em dia, só o misticismo pode salvar nossa sociedade do embrutecimento, do sensualismo e do utilitarismo. Dentro de cem anos seremos uns brutos cujo único ideal consistirá na cômoda satisfação das funções orgânicas; graças à ciência positiva, voltaremos à animidade pura e simples. É preciso reagir. É preciso voltar a cultivar em nós as superiores qualidades da alma. É preciso que voltemos a ser místicos. É preciso reaprender o amor, fonte de toda compreensão.
Mas, ai! , já é tarde para reconquistar o amor em sua integridade primitiva. O sensualismo do século nos ensinou a ver na mulher apenas um bocado de carne destinada a aplacar nossos apetites materiais. O amor da mulher não mais nos é permitido. O ceticismo do século nos ensinou a ver em Deus apenas uma abstração nominal talvez inexistente. O amor de Deus não mais nos é permitido.
Um só amor ainda nos resta, o das obras de arte. Atiremo-nos pois sobre essa última tábua de salvação, tornemo-nos os místicos da arte." (...)
Do livro "Teorias da Arte Moderna - H. B. Chipp, pg. 84/85.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Do livro "Cartas a Théo" - Vincent Van Gogh
"Um pássaro na gaiola durante a primavera sabe muito bem que existe algo em que ele pode ser bom, sente muito bem que há algo a fazer, mas não pode fazê-lo. O que será? Ele não lembra muito bem. Tem então vagas lembranças e diz para si mesmo: "Os outros fazem seus ninhos, têm seus filhotes e criam a ninhada", e então bate com a cabeça nas grades da gaiola. E a gaiola continua ali, e o pássaro fica louco de dor.
'Vejam que vagabundo', diz um outro pássaro que passa, 'esse aí é um tipo de aposentado'. No entanto, o prisioneiro vive, e não morre, nada exteriormente revela o que se passa em seu íntimo, ele está bem, está mais ou menos feliz sob os raios do sol. Mas vem a época da migração. Acesso de melancolia - 'mas' dizem as crianças que o criam na gaiola, 'afinal ele tem tudo o que precisa'. E ele olha lá fora o céu cheio, carregado de tempestade, e sente em si a revolta contra a fatalidade. 'Estou preso, estou preso e não me falta nada, imbecis. Tenho tudo o que preciso. Ah! por bondade, liberdade! ser um pássaro como outros."( pág. 50)
'Vejam que vagabundo', diz um outro pássaro que passa, 'esse aí é um tipo de aposentado'. No entanto, o prisioneiro vive, e não morre, nada exteriormente revela o que se passa em seu íntimo, ele está bem, está mais ou menos feliz sob os raios do sol. Mas vem a época da migração. Acesso de melancolia - 'mas' dizem as crianças que o criam na gaiola, 'afinal ele tem tudo o que precisa'. E ele olha lá fora o céu cheio, carregado de tempestade, e sente em si a revolta contra a fatalidade. 'Estou preso, estou preso e não me falta nada, imbecis. Tenho tudo o que preciso. Ah! por bondade, liberdade! ser um pássaro como outros."( pág. 50)
sábado, 20 de setembro de 2008
LINHA DE AÇÃO
Na exposição a artista apresenta desenhos realizados utilizando grafite sobre suportes variados. Claudia parte do modelo árvore e desenvolve formações que nos convidam a ter um olhar minimalista para perceber os detalhes de cada construção que, apesar de modular não se repete.
São construções em módulos dispostos lado a lado na parede formando uma linha horizontal de onde partem outros desenhos que se alastram pela superfície e povoam o local. A linha de ação remete ao processo da artista, o estudo da linha enquanto desenho e a própria linha do horizonte por isso essa linha fica na altura do olho do espectador. Intrigam algumas conexões e ligações que surgem casualmente na justaposição dos desenhos e que são interrompidas por espaços que Claudia deixa propositalmente nos convidando a ver cada trabalho como um corpo individual. A sensação de movimento e o embaraçamento provocados pela sobreposição dos desenhos instiga o olhar e é um convite a aproximação.
São construções em módulos dispostos lado a lado na parede formando uma linha horizontal de onde partem outros desenhos que se alastram pela superfície e povoam o local. A linha de ação remete ao processo da artista, o estudo da linha enquanto desenho e a própria linha do horizonte por isso essa linha fica na altura do olho do espectador. Intrigam algumas conexões e ligações que surgem casualmente na justaposição dos desenhos e que são interrompidas por espaços que Claudia deixa propositalmente nos convidando a ver cada trabalho como um corpo individual. A sensação de movimento e o embaraçamento provocados pela sobreposição dos desenhos instiga o olhar e é um convite a aproximação.
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